terça-feira, 20 de setembro de 2016

Monte Roraima: Uma viagem inesquecível - Diário da aventura!!


Expedição ao Monte Roraima - Parte 1

Chegada a Boa Vista, Aldeia de Paratepuy, Rio Tek e Acampamento Base



Dia 1 - São Paulo/Boa Vista


Voamos pela Gol para Boa Vista com conexão no Rio de Janeiro. Chegamos a Boa Vista no começo da tarde. Do aeroporto, pegamos um táxi (R$40,00) até o hotel Mecejana. Optamos por este hotel por conta do preço mesmo, uma vez que a cidade não conta com muitas opções de hospedagem, e não nos arrependemos. Apesar de simples, os quartos são limpos e funcionais, com frigobar e ar-condicionado. O chuveiro frio não incomoda, tendo em vista o clima tão quente da cidade!! Não tem quase nada perto do hotel, mas na recepção eles te ajudam a pedir uma pizza.
Como iríamos passar alguns dias em Manaus depois do Roraima, levamos uma mala com algumas roupas extra (além de aproveitar e passear um pouco por lá, valeu bem a pena financeiramente fazer esta parada na volta. Consegui o vôo Boa Vista/Manaus por menos de R$100,00 e comprei o trecho MAO/GRU por 6.000 milhas, uma pechincha!). Conversando com a dona do Mecejana, expliquei sobre a tal da malinha para Manaus, e ela prontamente se ofereceu para guardar no hotel até a volta! Algumas gentilezas não têm preço!!

Dia 2 - Boa Vista/ Santa Helena


Acordamos bem cedo e fomos de taxi ao hotel Aipana Plaza, local combinado para o briefing da expedição com a Roraima Adventures. Como o Mecejana não tinha café da manhã, deixamos para comer no Aipana, que tem um buffet bem legal, com um preço razoável.
O briefing com o Magno da Roraima Adventures foi bem legal, pudemos conhecer um pouco os colegas de grupo, os guias e recebemos dicas importantes sobre o roteiro e os desafios da expedição.
Almoçamos em um restaurante a quilo do outro lado da rua (comida deliciosa) e às 14h entramos na Van que nos levaria a Santa Helena.
Fizemos uma parada em Pacaraima para trocar nossos reais por bolívares com um doleiro. A cotação do dia eram 220 bolívares para cada real. Para você ter uma idéia, para quem tinha que pagar carregador (cerca de R$ 500,00) os bolívares eram entregues em um saquinho de mercado, pesando cerca de 1kg!!! Depois dessa parada que nos rendeu boas risadas e fotos, seguimos para a Polícia Federal, fazer a imigração de saída. Brasileiros que estiverem com o RG (habilitação não serve!!) seguem direto para a aduana venezuelana. Se você estiver somente com o passaporte, vai ficar bastante tempo na fila da PF até conseguir seu carimbo. Eu fiquei quase 1h na fila e quando finalmente consegui terminar o procedimento do lado brasileiro, a aduana Chavista já estava fechada... Como o pessoal da empresa já tinha bastante traquejo com esse trâmite, conseguimos seguir (sem carimbo mesmo) para Santa Helena.
Ficamos no hotel Anaconda, que em algum lugar do passado deve ter sido um belo resort, mas que em vista da crise terrível que se abate sobre a Venezuela já está bem caído, precisando de uma renovada. Quando chegamos o hotel estava sem energia elétrica, que só foi voltar cerca de duas horas depois. O restaurante tinha apenas algumas opções de refeição (também por conta da crise de abastecimento), nada muito saboroso, mas não passamos fome.

Dia 3 - Santa Helena / Aldeia de Paratepuy / Início da caminhada

Acordamos muito cedo para voltar à fronteira e pegar nossos carimbos de entrada na Venezuela. Como o país está nesta situação tão complicada, não queríamos arriscar transitar sem carimbo por lá. Segundo o pessoal da Roraima a polícia não é nada confiável, e não queríamos dar motivo para uma possível extorsão. Por volta de 6:30 da manhã já estávamos no posto da aduana. Cerca de 40 minutos depois, com os passaportes devidamente carimbados, voltamos ao hotel para o café da manhã: pão com margarina, 1 ovo, café e suco tang. Tudo muito modesto e em pouca quantidade, mais um sintoma da situação econômica precária.
Carregamos nossas mochilas no teto de um 4x4 (sem cinto de segurança!!) e seguimos para a aldeia de Paraitepuy. Pouco mais de 1h depois, já tivemos a primeira visão dos Tepuys, que emoção!!!


A aldeia é bem pequena, com casinhas de barro, tudo muito simples. Enquanto os carros eram descarregados, os guias se reuniam com os índios para escolher aqueles que nos acompanhariam durante os dias de expedição, carregando os equipamentos, comida e também aqueles que carregariam as bagagens dos turistas que optaram por este serviço.
Começamos a caminhada por volta de 11:00. No primeiro dia o trecho a ser percorrido seria de 16km, com inclinação total de 1km. Neste primeiro dia a caminhada é relativamente fácil, não há muitos trechos de subida e estas em sua maioria são leves. O solo também é terra batida, sem muitas pedras.
O dia estava ensolarado mas não estava super quente, ainda bem! Há pouquíssimos trechos sombreados neste percurso, é imprescindível levar um chapéu. Na metade do caminho tivemos uma parada para um lanchinho: frutas e bolacha com doce de leite. Durante toda a caminhada fomos avistando o Monte Roraima, que vista incrível!


Por volta das 16 horas chegamos ao acampamento do rio Tek, onde tem uma vendinha bem modesta. Compramos doritos e coca cola quente (vencidos!!!) e paramos um pouquinho para descansar. Mais meia hora de caminhada, atravessamos o rio e chegamos ao nosso acampamento. Enquanto o pessoal da equipe arrumava o acampamento, tomamos um banho maravilhoso de rio. Atenção aos alérgicos: neste local há muitos mosquitos, quando sair do rio já esteja com seu repelente preparado.


Quando escureceu, uma luminosidade forte nos chamou a atenção. Fomos dar uma volta para ver o que era aquilo e nos deparamos com um baita incêndio no mato, a alguns quilômetros do acampamento. O guia nos explicou que incêndios não são incomuns naquela área e que muitas vezes são provocados pelos próprios indígenas, como retaliação por desentendimentos entre tribos ou até mesmo para limpar a vegetação e facilitar o plantio de pasto. Triste....

A janta foi deliciosa: arroz, peixe e salada, preparada pelos índios e guias. Pouco depois do anoitecer já estávamos todos na caminha, nos recuperando para o dia seguinte.

Dia 4 -  Rumo ao Acampamento Base

Pôr do sol no Acampamento Base

Acordamos às 5h da manhã. Arrumamos as mochilas, tomamos um café da manhã reforçado, com ovos, queijo, pão, café e leite e começamos a caminhada às 6h.
A caminhada do segundo dia é mais intensa, em 9km de distância temos um aclive de 800m. O dia estava bem quente e o mato queimava bem ao lado da trilha, o que judiava ainda mais de todos.
Por volta das 11h da manhã chegamos ao acampamento base e a vista de lá é simplesmente sensacional!!!! Muitas pessoas fazem a caminhada somente até este ponto, o que é muito válido!! Você acampa bem aos pés do Roraima, com o Roraiminha ao fundo e não tem como não se maravilhar com a enormidade daqueles dois lindos Tepuys!
Fomos tomar um banho na piscina de água muito, muito gelada próxima ao acampamento, lavamos algumas roupas e sentamos para almoçar.
No começo da tarde, nos chamou a atenção o fogo que chegava muito perto do acampamento. Já estava a poucos metros das barracas de um outro grupo, que acampava mais acima. Resolvemos então alertar uma garota que estava sentada tranquilamente dentro de uma das barracas. Ela era polonesa e estava com um guia venezuelano que não deu a mínima para o incêndio, ficou deitado tranquilamente em uma rede quando ela foi reclamar.... Os meninos do nosso grupo se juntaram e conseguiram apagar os focos de incêndio que estavam mais próximos com a ajuda de alguns galhos de árvore e me surpreendeu o pouco caso dos índios com aquilo tudo, afinal aquela terra é deles, de onde eles tiram o sustento de suas famílias!!
Passamos o resto do dia tranquilos, relaxando e conversando, assistimos a um pôr do sol simplesmente deslumbrante e apreciamos o céu estrelado enquanto jantávamos uma sopinha delícia.


Continua!!!!

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Preparação para o Monte Roraima


MONTE RORAIMA - UMA VIAGEM INESQUECÍVEL!

Preparação para o Monte Roraima


Subir o monte Roraima não seria tarefa fácil, então começamos a preparação cedo. Tão logo fechamos a expedição, mais de dois meses antes da data, começamos a comprar o material que faltava - mochila pequena, isolante térmico, roupas adequadas e outras miudezas -  e a nos preparar fisicamente.
Morar em uma cidade como São Paulo não favorece muito este tipo de preparação. Como fica inviável viajar o tempo todo para fazer uma trilha mais longa, elegemos o Parque da Cantareira como nossa base para treinos. Ele fica na região do Horto Florestal (que aliás é outro parque lindo), tem uma estrutura muito boa e,o principal: trilhas longas, com muita subida.
Estacionamos sempre no Núcleo Águas Claras. Além de ser o nosso favorito por conta da linda estrada que leva até lá, é legal porque fica no alto do parque, o que ajuda a tornar o treino mais intenso porque você pega a subida toda na volta, quando seu corpo já está um pouco cansado (Ah, mais um detalhe do Águas Claras: ainda dá para tomar um café da manhã ou parar para comprar um pão artesanal na Miolo Padaria Orgânica, que fica no caminho!).
Na primeira semana, fomos sem mochila, para conhecer a trilha. Nas semanas seguintes, fomos com a mochila, uma vez na semana, evoluindo para duas vezes seguidas (o parque só abre aos sábados e domingos). O trajeto sempre ficava em torno de 14km e o peso na mochila por volta de 10kg, para ficar o mais próximo possível da realidade do Roraima (para fazer o peso, coloquei garrafas com água na mochila, além é claro de um lanche e câmera fotográfica - nunca se sabe quando algum bicho vai fazer pose na sua frente!).

Parque Nacional do Itatiaia


A única viagem que fizemos como parte da preparação foi para o Parque Nacional do Itatiaia, na divisa entre RJ, SP e MG. Para chegar ao parque, pegue a BR 354, na altura de Engenheiro Passos (pela via Dutra, para quem vem de SP ou RJ), até a Garganta do Registro.
Saímos de São Paulo tarde, por volta das 17h, e pernoitamos no Hostel Picus, que fica na BR 354 mesmo, poucos quilômetros acima do início da estada para o parque - é bem simplão mesmo, mas bem conservado. Para seu maior conforto, leve roupa de cama e toalha. Pagamos R$45,00 por pessoa em um quarto duplo, com banheiro compartilhado. A vantagem de dormir por lá, e não em algum hotel em Itamonte, é que ele fica bem próximo à tal Garganta do Registro, de onde sai a estrada para a entrada do Parque (são 14km de estrada ruim, mas bem ruim mesmo, pense bem antes de ir com seu carro se ele for baixo).
Fizemos o circuito Couto Prateleiras, total 12,5km. Trilha bem puxada, com vários trechos de escalaminhada e mal sinalizada. Acabamos pegando uma trilha antiga por engano, que ainda estava demarcada com totens, e acabamos perdidos em um matagal. Por conta deste engano, acabamos tendo que fazer a última parte da trilha no sentido contrário, mas nada que estragasse nosso dia.
Cuidado na época de chuvas, este parque tem uma alta incidência de raios!

O que levamos na mochila


Vou colocar aqui uma listinha do que levamos na mochila para os 9 dias de expedição. Contratamos o circuito mágico Macunaíma com a Roraima adventures, que contempla 5 noites no topo. Como o preço dos carregadores estava bem salgado (com a alimentação ficava cerca de R$1000,00 para os 9 dias de trekking, levando até 15kg), resolvemos levar mochilas leves e carrega-las por todo o trajeto. É claro que fazer com que todo o seu equipamento, roupas e petiscos fiquem com um peso razoável para que você consiga carregar nos mais de 120km não é muito fácil, mas é possível!

Roupas:

3 camisetas manga longa dry fit com proteção solar (secam muito rápido, não esquentam e te protegem do sol forte)
2 calças de tactel (comprei essas baratinhas masculinas que vendem na Riachuelo- não são as mais charmosas mas são frescas e secam rápido).
4 calcinhas boxer sem costura (permitem que você nade nos rios sem trocar de roupa- muitas vezes vai ser difícil encontrar um lugar para se trocar)
2 tops de poliéster com bojo
4 meias para trekking
8 meias finas 3/4 (dessas de usar com sapato social - foram uma bênção! Mantiveram meus pés sem bolhas, o que é uma raridade no Roraima, e ainda separei uma delas - limpa, é claro!! - para usar como um filtro para coletar água nos riozinhos com muitas sujeirinhas flutuando)
1 par de luvas
1 biquini (calcinha de lacinho ajuda muito na hora de se trocar!)
1 gorro
1 chapéu de abas largas
1 lenço ou bandana(para amarrar no pescoço nos dias mais frios ou na cabeça quando você se cansar de ficar despenteada)
Óculos de Sol

Roupas de dormir

2 tops x-termo da solo
1 microfleece
1 calça x-termo da solo
1 meia grossa

Equipamentos

1 saco de dormir deuter 0 graus
1 isolante térmico inflável quechua (a melhor aquisição da viagem, sério. Protege do frio, te dá um relativo conforto para dormir e fica bem pequeno para carregar. Fez toda a diferença)
1 travesseiro inflável
2 bastões de caminhada (tem gente que não leva, ou leva um só. Eu gosto porque me ajuda a equilibrar o peso da mochila sem sobrecarregar os joelhos)
1 toalha para acampamento
1 canivete suíço pequeno
Cordão para varal
1 rolo pequeno de Fita silvertape
1 capa de chuva tipo poncho, que cubra a mochila também

Calçados

1 bota de trekking impermeável
1 sandália tipo papete (muito importante para descansar os pés no final do dia! Melhor que havaianas, porque dá para usar com meias)


Cosméticos e afins

Pasta de dente pequena
Escova de dentes
Frasco pequeno com shampoo
Frasco pequeno com condicionador
Sabonete glicerinado
Filtro solar
Frasco pequeno com hidratante
Bepantol derma (para lábios, área dos olhos e mãos)
Nebacetin
Merthiolate
Protetor solar labial
Sabão de coco para lavar roupas (levei metade de uma barra)
Um batonzinho (é levinho e faz você se sentir como um ser humano novamente, depois de um dia puxado!)
Rolo de papel higiênico
Lencinhos umedecidos
Bandaid
Esparadrapo
Remédios diversos

Câmera fotográfica com 1 bateria extra (lembre-se e que não tem como carregar nenhum aparelho na montanha, a menos que você tenha um carregador solar). Uma boa dica é manter as baterias junto ao corpo na hora de dormir, pois o frio diminui em muito a duração delas (eu colocava as minhas dentro da roupa).

Petiscos: isso é muito pessoal, claro. Na nossa expedição a comida era muito farta e gostosa, mas mesmo assim por um ou dois dias fiquei com fome no meio do dia e precisei de um lanche mais reforçado. Nos outros dias, só mesmo umas barrinhas e cereal e de proteína foram suficientes. Na dúvida, leve um pouco a mais do que você acha que vão precisar. Levei 2 barrinhas de cereal e 2 de proteína por dia de trekking, polenguinho, m&ms, banana seca e um mix de amendoim, castanhas e uvas passas, além de umas latinhas de sardinha e patê de atum, porque eu não como carne e fiquei com medo de ficar sem proteína. Levei também uns pacotes de refeição liofilizada, mas acabou sendo um desperdício de espaço, porque não comi nenhuma.

Uma boa dica é organizar sua mochila usando duas bolsas estanques: 1 para as roupas e outra para o saco de dormir, isolante térmico e roupas de dormir. Isso é muito importante pois a umidade no Roraima é muito alta, chove muito e no topo da montanha faz bastante frio. Se suas roupas de dormir ou saco de dormir molharem, muito provavelmente não vão mais secar e suas noites serão puro pesadelo.

O peso da minha mochila no começo da expedição era de cerca de 11kg, reduzindo para uns 9kg no final, por conta da comida que foi acabando.


DIÁRIO DA AVENTURA - PARTE 1 !!!!