sábado, 27 de fevereiro de 2016

Preparação para o Monte Roraima


MONTE RORAIMA - UMA VIAGEM INESQUECÍVEL!

Preparação para o Monte Roraima


Subir o monte Roraima não seria tarefa fácil, então começamos a preparação cedo. Tão logo fechamos a expedição, mais de dois meses antes da data, começamos a comprar o material que faltava - mochila pequena, isolante térmico, roupas adequadas e outras miudezas -  e a nos preparar fisicamente.
Morar em uma cidade como São Paulo não favorece muito este tipo de preparação. Como fica inviável viajar o tempo todo para fazer uma trilha mais longa, elegemos o Parque da Cantareira como nossa base para treinos. Ele fica na região do Horto Florestal (que aliás é outro parque lindo), tem uma estrutura muito boa e,o principal: trilhas longas, com muita subida.
Estacionamos sempre no Núcleo Águas Claras. Além de ser o nosso favorito por conta da linda estrada que leva até lá, é legal porque fica no alto do parque, o que ajuda a tornar o treino mais intenso porque você pega a subida toda na volta, quando seu corpo já está um pouco cansado (Ah, mais um detalhe do Águas Claras: ainda dá para tomar um café da manhã ou parar para comprar um pão artesanal na Miolo Padaria Orgânica, que fica no caminho!).
Na primeira semana, fomos sem mochila, para conhecer a trilha. Nas semanas seguintes, fomos com a mochila, uma vez na semana, evoluindo para duas vezes seguidas (o parque só abre aos sábados e domingos). O trajeto sempre ficava em torno de 14km e o peso na mochila por volta de 10kg, para ficar o mais próximo possível da realidade do Roraima (para fazer o peso, coloquei garrafas com água na mochila, além é claro de um lanche e câmera fotográfica - nunca se sabe quando algum bicho vai fazer pose na sua frente!).

Parque Nacional do Itatiaia


A única viagem que fizemos como parte da preparação foi para o Parque Nacional do Itatiaia, na divisa entre RJ, SP e MG. Para chegar ao parque, pegue a BR 354, na altura de Engenheiro Passos (pela via Dutra, para quem vem de SP ou RJ), até a Garganta do Registro.
Saímos de São Paulo tarde, por volta das 17h, e pernoitamos no Hostel Picus, que fica na BR 354 mesmo, poucos quilômetros acima do início da estada para o parque - é bem simplão mesmo, mas bem conservado. Para seu maior conforto, leve roupa de cama e toalha. Pagamos R$45,00 por pessoa em um quarto duplo, com banheiro compartilhado. A vantagem de dormir por lá, e não em algum hotel em Itamonte, é que ele fica bem próximo à tal Garganta do Registro, de onde sai a estrada para a entrada do Parque (são 14km de estrada ruim, mas bem ruim mesmo, pense bem antes de ir com seu carro se ele for baixo).
Fizemos o circuito Couto Prateleiras, total 12,5km. Trilha bem puxada, com vários trechos de escalaminhada e mal sinalizada. Acabamos pegando uma trilha antiga por engano, que ainda estava demarcada com totens, e acabamos perdidos em um matagal. Por conta deste engano, acabamos tendo que fazer a última parte da trilha no sentido contrário, mas nada que estragasse nosso dia.
Cuidado na época de chuvas, este parque tem uma alta incidência de raios!

O que levamos na mochila


Vou colocar aqui uma listinha do que levamos na mochila para os 9 dias de expedição. Contratamos o circuito mágico Macunaíma com a Roraima adventures, que contempla 5 noites no topo. Como o preço dos carregadores estava bem salgado (com a alimentação ficava cerca de R$1000,00 para os 9 dias de trekking, levando até 15kg), resolvemos levar mochilas leves e carrega-las por todo o trajeto. É claro que fazer com que todo o seu equipamento, roupas e petiscos fiquem com um peso razoável para que você consiga carregar nos mais de 120km não é muito fácil, mas é possível!

Roupas:

3 camisetas manga longa dry fit com proteção solar (secam muito rápido, não esquentam e te protegem do sol forte)
2 calças de tactel (comprei essas baratinhas masculinas que vendem na Riachuelo- não são as mais charmosas mas são frescas e secam rápido).
4 calcinhas boxer sem costura (permitem que você nade nos rios sem trocar de roupa- muitas vezes vai ser difícil encontrar um lugar para se trocar)
2 tops de poliéster com bojo
4 meias para trekking
8 meias finas 3/4 (dessas de usar com sapato social - foram uma bênção! Mantiveram meus pés sem bolhas, o que é uma raridade no Roraima, e ainda separei uma delas - limpa, é claro!! - para usar como um filtro para coletar água nos riozinhos com muitas sujeirinhas flutuando)
1 par de luvas
1 biquini (calcinha de lacinho ajuda muito na hora de se trocar!)
1 gorro
1 chapéu de abas largas
1 lenço ou bandana(para amarrar no pescoço nos dias mais frios ou na cabeça quando você se cansar de ficar despenteada)
Óculos de Sol

Roupas de dormir

2 tops x-termo da solo
1 microfleece
1 calça x-termo da solo
1 meia grossa

Equipamentos

1 saco de dormir deuter 0 graus
1 isolante térmico inflável quechua (a melhor aquisição da viagem, sério. Protege do frio, te dá um relativo conforto para dormir e fica bem pequeno para carregar. Fez toda a diferença)
1 travesseiro inflável
2 bastões de caminhada (tem gente que não leva, ou leva um só. Eu gosto porque me ajuda a equilibrar o peso da mochila sem sobrecarregar os joelhos)
1 toalha para acampamento
1 canivete suíço pequeno
Cordão para varal
1 rolo pequeno de Fita silvertape
1 capa de chuva tipo poncho, que cubra a mochila também

Calçados

1 bota de trekking impermeável
1 sandália tipo papete (muito importante para descansar os pés no final do dia! Melhor que havaianas, porque dá para usar com meias)


Cosméticos e afins

Pasta de dente pequena
Escova de dentes
Frasco pequeno com shampoo
Frasco pequeno com condicionador
Sabonete glicerinado
Filtro solar
Frasco pequeno com hidratante
Bepantol derma (para lábios, área dos olhos e mãos)
Nebacetin
Merthiolate
Protetor solar labial
Sabão de coco para lavar roupas (levei metade de uma barra)
Um batonzinho (é levinho e faz você se sentir como um ser humano novamente, depois de um dia puxado!)
Rolo de papel higiênico
Lencinhos umedecidos
Bandaid
Esparadrapo
Remédios diversos

Câmera fotográfica com 1 bateria extra (lembre-se e que não tem como carregar nenhum aparelho na montanha, a menos que você tenha um carregador solar). Uma boa dica é manter as baterias junto ao corpo na hora de dormir, pois o frio diminui em muito a duração delas (eu colocava as minhas dentro da roupa).

Petiscos: isso é muito pessoal, claro. Na nossa expedição a comida era muito farta e gostosa, mas mesmo assim por um ou dois dias fiquei com fome no meio do dia e precisei de um lanche mais reforçado. Nos outros dias, só mesmo umas barrinhas e cereal e de proteína foram suficientes. Na dúvida, leve um pouco a mais do que você acha que vão precisar. Levei 2 barrinhas de cereal e 2 de proteína por dia de trekking, polenguinho, m&ms, banana seca e um mix de amendoim, castanhas e uvas passas, além de umas latinhas de sardinha e patê de atum, porque eu não como carne e fiquei com medo de ficar sem proteína. Levei também uns pacotes de refeição liofilizada, mas acabou sendo um desperdício de espaço, porque não comi nenhuma.

Uma boa dica é organizar sua mochila usando duas bolsas estanques: 1 para as roupas e outra para o saco de dormir, isolante térmico e roupas de dormir. Isso é muito importante pois a umidade no Roraima é muito alta, chove muito e no topo da montanha faz bastante frio. Se suas roupas de dormir ou saco de dormir molharem, muito provavelmente não vão mais secar e suas noites serão puro pesadelo.

O peso da minha mochila no começo da expedição era de cerca de 11kg, reduzindo para uns 9kg no final, por conta da comida que foi acabando.


DIÁRIO DA AVENTURA - PARTE 1 !!!!